Riscos ocupacionais: tipos, exemplos e como mapear

Riscos ocupacionais: tipos, exemplos e como mapear

Riscos ocupacionais: tipos, exemplos e como mapear - Expertisa Saúde

24/09/2026 | Por: Expertisa Saúde

Riscos ocupacionais são situações do trabalho capazes de causar acidentes, doenças ou outros agravos à saúde. Para gerenciá-los corretamente, a empresa precisa identificar os perigos, entender quem está exposto, avaliar o nível de risco e definir medidas de prevenção proporcionais à realidade da atividade.

Em 2026, esse processo ganhou um ponto de atenção adicional: a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 passou a explicitar que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) deve considerar agentes físicos, químicos e biológicos, riscos de acidentes e fatores ergonômicos, incluindo os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

O que são riscos ocupacionais?

A NR-1 organiza a prevenção a partir de duas etapas diferentes: identificação de perigos e avaliação dos riscos ocupacionais.

Na prática, o perigo é a fonte, situação ou condição que pode causar dano. O risco representa a possibilidade de esse dano ocorrer nas condições reais de exposição e com determinada gravidade.

Um piso molhado, por exemplo, é uma situação perigosa. O risco aumenta ou diminui conforme fatores como circulação de pessoas, sinalização, frequência da condição e medidas de prevenção existentes.

Essa distinção é importante porque um bom mapeamento não se limita a listar “ruído”, “produto químico” ou “queda”. Ele precisa caracterizar como o perigo aparece, quem pode ser afetado e quais controles já existem.

Quais são os principais tipos de riscos ocupacionais?

A redação atual da NR-1 estabelece que o GRO deve abranger riscos decorrentes de agentes físicos, químicos e biológicos, riscos de acidentes e fatores ergonômicos. Desde 26 de maio de 2026, a norma passou a explicitar também os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do campo ergonômico.

Riscos físicos

São formas de energia ou condições físicas capazes de afetar a saúde do trabalhador.

Exemplos:

  1. ruído;
  2. vibração;
  3. calor e frio;
  4. radiações ionizantes e não ionizantes;
  5. pressões anormais.

A avaliação pode exigir medições específicas conforme o agente e a atividade. As Normas de Higiene Ocupacional da Fundacentro são uma das principais referências técnicas para avaliações ambientais de ruído, calor e vibração.

Riscos químicos

São substâncias, compostos ou produtos que podem entrar em contato com o organismo por via respiratória, cutânea ou digestiva, dependendo do processo de trabalho.

Exemplos:

  1. poeiras;
  2. fumos;
  3. névoas e neblinas;
  4. gases;
  5. vapores;
  6. solventes, metais e outras substâncias perigosas.

O mapeamento deve considerar a substância, a forma de uso, a fonte geradora, o tempo de exposição, a ventilação, as medidas de controle e os grupos de trabalhadores envolvidos.

Riscos biológicos

São exposições a agentes biológicos com potencial de causar infecções, doenças ou outros agravos.

Exemplos:

  1. bactérias;
  2. vírus;
  3. fungos;
  4. parasitas;
  5. materiais potencialmente contaminados.

São frequentes em serviços de saúde, laboratórios, manejo de resíduos, saneamento e outras atividades com contato com material biológico.

Riscos ergonômicos

Estão relacionados à adaptação das condições de trabalho às características dos trabalhadores e à forma como as atividades são organizadas.

Exemplos:

  1. levantamento e transporte manual de cargas;
  2. posturas inadequadas ou mantidas por longos períodos;
  3. movimentos repetitivos;
  4. mobiliário e posto de trabalho incompatíveis com a atividade;
  5. ritmo, jornada e organização do trabalho.

A avaliação das condições ergonômicas deve observar a NR-17 e se integrar ao gerenciamento de riscos da NR-1.

Fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho

Em 2026, esse grupo ganhou destaque porque passou a ser citado expressamente no texto da NR-1.

São fatores ligados à concepção, organização e gestão do trabalho, e não à vida pessoal do trabalhador.

Exemplos:

  1. sobrecarga de trabalho;
  2. demandas incompatíveis com os recursos disponíveis;
  3. baixa autonomia;
  4. falta de apoio de lideranças e colegas;
  5. conflitos de papéis;
  6. assédio e outras formas de violência no trabalho;
  7. jornadas ou organização do trabalho que favoreçam desgaste excessivo.

A empresa deve avaliar se esses fatores existem no contexto real das atividades e integrá-los ao GRO quando forem identificados.

Riscos de acidentes

São situações capazes de provocar eventos súbitos com dano ao trabalhador.

Exemplos:

  1. quedas do mesmo nível ou de altura;
  2. partes móveis de máquinas sem proteção adequada;
  3. eletricidade;
  4. incêndio e explosão;
  5. veículos e equipamentos móveis;
  6. armazenamento inadequado;
  7. arranjo físico que favoreça colisões, quedas ou aprisionamentos.

Em algumas empresas, esse grupo também é chamado de risco mecânico ou de segurança. Para fins de gestão, o mais importante é caracterizar a situação perigosa e o dano possível, e não apenas escolher um rótulo.

Como mapear riscos ocupacionais na empresa?

O mapeamento precisa refletir o trabalho real. Copiar uma lista padrão de perigos ou reproduzir o documento de outra unidade não atende à lógica do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

Um fluxo prático pode seguir as etapas abaixo.

  1. Defina o escopo da análise

Comece por estabelecimento, setor, processo e atividade. Descreva onde o trabalho acontece e quais tarefas serão observadas.

  1. Observe a atividade real

Converse com trabalhadores e gestores, acompanhe tarefas, verifique equipamentos, materiais, produtos utilizados, deslocamentos e situações não rotineiras.

O trabalho prescrito em procedimento nem sempre é igual ao trabalho efetivamente executado. O mapeamento precisa capturar essa diferença.

  1. Identifique os perigos e suas fontes

Para cada atividade, registre o que pode causar lesão ou agravo e onde o perigo se origina.

Exemplo: não basta escrever “ruído”. Registre a máquina ou processo que gera o ruído, em qual etapa ele ocorre e quais trabalhadores permanecem expostos.

  1. Identifique os grupos de trabalhadores expostos

A NR-1 exige que o inventário indique os grupos de trabalhadores sujeitos aos perigos identificados.

Agrupar pessoas por exposição semelhante é mais útil do que repetir a mesma informação individualmente quando as condições são equivalentes.

  1. Caracterize a exposição

Registre frequência, duração, intensidade ou outras informações relevantes para entender a condição de exposição.

Para agentes físicos, químicos e biológicos, a análise pode envolver avaliações qualitativas ou quantitativas conforme a NR específica e a necessidade técnica.

  1. Avalie e classifique o risco

Depois de identificar o perigo, a organização deve avaliar o risco para definir prioridades de prevenção.

A metodologia utilizada precisa ser adequada ao tipo de risco e permitir uma classificação coerente. Matrizes de probabilidade e severidade podem ser usadas, mas não devem virar um exercício automático sem conexão com a atividade real.

  1. Registre as medidas de prevenção existentes

Documente o que já está sendo feito para eliminar, reduzir ou controlar o risco.

A NR-1 prioriza:

  1. eliminação do fator de risco;
  2. medidas de proteção coletiva;
  3. medidas administrativas ou de organização do trabalho;
  4. equipamentos de proteção individual, quando necessários.
  5. Consolide os dados no Inventário de Riscos Ocupacionais

O inventário é um dos documentos mínimos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Ele deve reunir a caracterização dos processos e ambientes, atividades, perigos, possíveis lesões ou agravos, grupos expostos, medidas de prevenção, caracterização da exposição e classificação dos riscos.

  1. Transforme as prioridades em Plano de Ação

Risco identificado sem decisão de tratamento não completa o processo.

O Plano de Ação deve estabelecer quais medidas serão introduzidas, aprimoradas ou mantidas, com acompanhamento compatível com as prioridades definidas.

  1. Revise quando a realidade mudar

O mapeamento precisa acompanhar alterações de processo, instalações, máquinas, materiais, organização do trabalho e outros fatores que modifiquem o risco.

O histórico das atualizações do inventário deve ser mantido pelo período previsto na NR-1.

Mapa de risco, matriz de risco e inventário são a mesma coisa?

Não. São recursos diferentes.

O mapa de risco é uma ferramenta visual que pode ser utilizada para registrar a percepção dos trabalhadores sobre os riscos. Pela NR-5, a CIPA pode usar o mapa ou outra técnica ou ferramenta apropriada, sem ordem de preferência.

A matriz de risco é uma técnica de avaliação e classificação. Ela pode combinar critérios como probabilidade e gravidade para apoiar a priorização das medidas.

O Inventário de Riscos Ocupacionais é um documento integrante do PGR. Ele consolida as informações da identificação dos perigos e da avaliação dos riscos conforme os requisitos da NR-1.

Por isso, um mapa colorido na parede ou uma matriz isolada não substituem o inventário exigido no PGR.

Como os riscos psicossociais entram no mapeamento em 2026?

A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 entrou em vigor em 26 de maio de 2026 e tornou explícita a necessidade de considerar fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no GRO.

Isso não significa fazer diagnóstico clínico de trabalhadores.

O foco deve permanecer nas condições e na organização do trabalho: demanda, ritmo, autonomia, apoio, conflitos, assédio, clareza de papéis e outros fatores relacionados ao modo como o trabalho é estruturado.

A empresa deve utilizar métodos adequados para identificar esses fatores, analisar grupos de trabalhadores e registrar no inventário os riscos efetivamente identificados. O processo precisa se integrar à avaliação ergonômica prevista na NR-17.

Quais informações o Inventário de Riscos deve conter?

De acordo com a NR-1 vigente, o inventário deve reunir, no mínimo:

  1. caracterização dos processos e ambientes de trabalho;
  2. caracterização das atividades;
  3. descrição dos perigos e identificação das fontes ou circunstâncias;
  4. possíveis lesões ou agravos à saúde;
  5. grupos de trabalhadores expostos;
  6. medidas de prevenção implementadas;
  7. caracterização da exposição;
  8. dados de análise preliminar ou monitoramento de agentes físicos, químicos e biológicos e resultados da avaliação de ergonomia;
  9. avaliação e classificação dos riscos para elaboração do plano de ação.

A organização também deve manter o inventário atualizado e preservar o histórico de suas atualizações pelo prazo estabelecido na norma.

Quais erros tornam o mapeamento pouco útil?

Alguns erros aparecem com frequência mesmo quando existe documentação formal.

Copiar riscos de outra empresa ou unidade

Perigos variam conforme processo, equipamentos, layout, materiais e organização do trabalho. Um documento genérico tende a deixar lacunas.

Mapear apenas agentes ambientais

Físicos, químicos e biológicos são parte do processo, mas o GRO também precisa considerar acidentes e fatores ergonômicos, inclusive psicossociais relacionados ao trabalho.

Usar somente o cargo como referência

Duas pessoas com o mesmo cargo podem executar tarefas diferentes e ter exposições distintas.

Classificar todos os riscos da mesma forma

A avaliação precisa considerar as condições reais. Repetir a mesma classificação para toda a empresa reduz a utilidade do plano de ação.

Começar pelo EPI

Equipamentos de proteção individual fazem parte da prevenção, mas aparecem depois da eliminação do perigo e das medidas coletivas e administrativas na hierarquia da NR-1.

Deixar o inventário sem atualização

Mudanças de máquina, produto, processo, layout, tecnologia ou organização do trabalho podem alterar os riscos e exigir nova análise.

Checklist para RH e SST revisarem o mapeamento

Antes de considerar o levantamento concluído, confirme:

  1. todos os setores e atividades relevantes foram avaliados;
  2. os perigos estão descritos com suas fontes ou circunstâncias;
  3. os grupos expostos estão identificados;
  4. a exposição foi caracterizada de forma suficiente;
  5. fatores ergonômicos e psicossociais relacionados ao trabalho foram considerados;
  6. os critérios de classificação permitem priorizar ações;
  7. as medidas de prevenção existentes estão registradas;
  8. riscos que precisam de intervenção aparecem no plano de ação;
  9. trabalhadores e CIPA, quando houver, participam da percepção dos riscos;
  10. o inventário possui rotina de revisão e atualização.

Perguntas frequentes sobre riscos ocupacionais

Quais são os tipos de riscos ocupacionais?

A NR-1 abrange riscos relacionados a agentes físicos, químicos e biológicos, riscos de acidentes e fatores ergonômicos. Desde maio de 2026, a norma explicita os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do gerenciamento.

Todo risco precisa de medição?

Não. A necessidade de avaliação quantitativa depende do agente, da norma aplicável e da finalidade técnica. Muitos riscos são identificados e avaliados inicialmente por análise qualitativa, observação das atividades e critérios técnicos.

Mapa de risco é obrigatório?

A CIPA pode registrar a percepção dos riscos por meio do mapa de risco ou de outra técnica ou ferramenta apropriada. O mapa não é a única forma prevista pela NR-5 e não substitui o Inventário de Riscos do PGR.

Qual a diferença entre perigo e risco ocupacional?

O perigo é a fonte ou circunstância capaz de causar dano. A avaliação de risco considera as condições em que esse perigo aparece e a possibilidade e gravidade dos efeitos sobre os trabalhadores.

Quando o inventário de riscos deve ser atualizado?

Sempre que mudanças relevantes alterarem os perigos, exposições ou classificação dos riscos e nas situações de revisão previstas pela NR-1. O inventário deve refletir as condições atuais de trabalho.

Precisa revisar os riscos ocupacionais da sua empresa?

A Expertisa Saúde pode apoiar a identificação de perigos, a avaliação dos riscos e a organização das informações necessárias para o PGR e seu plano de ação.

Solicite uma análise dos riscos ocupacionais

 

Acesse Nossas Redes Siga no Facebook Siga no Instagram